Segurança na Internet! Do que falamos? Penso que não há um
conjunto de palavras tão ambíguo, tão distinto, oposto como este.
Vou então defini-las ligeiramente para melhor compreendermos as
suas diferenças.
Segurança é a perceção de que estamos salvaguardados, que nada
nem ninguém nos pode colocar em risco ou aos nossos bens ou aos
nossos entes. É algo que é considerado um bem comum e está
implícito em alguns atos como trancar a porta de casa ou usar o
travão de mão para imobilizar o automóvel. Pode ser feito de forma
consciente ou inconsciente. Quando não nos sentimos seguros ou
protegidos, facilmente nos preocupamos e nos sentimos expostos. É
isto a segurança.
E a Internet? Um mundo vasto, extremamente rico em informação,
comércio e demais e em constante atualização, mas perigoso e nada
seguro. Em qualquer site que acedemos, estão presentes e duma forma
apelativa várias armadilhas que podem mudar a nossa vida para sempre
e em questão de segundos... Ora temos jogos e inquéritos que
solicitam a colocação do número de telemóvel, ora anúncios de
pornografia, ora aplicações com vírus embebidos disfarçadamente e
muito mas muito mais... Cada clique é quase como um tiro ao alvo
numa carreira de tiro. E tudo se torna numa bola de neve quando
agimos de forma imprudente: saldo do telemóvel que desaparece com
aplicações que não usamos nem conhecemos; empresas de
telemarketing que ligam a toda a hora, todos os dias para
vender 1001 artigos; perda de dados; phishing de dados
pessoais como passwords de acesso a instituições e entidades
bancárias, etc. É isto a Internet, mais haveria a dizer...
A sociedade evoluiu em todos os sentidos com o passar dos anos. E
ainda bem, permitiu um crescimento económico, social e humano. Um
dos mais importantes progressos foi o das tecnologias de informação,
nomeadamente através da Internet. A sua criação permitiu a criação
de uma rede mundial de interligação de dados, bens e pessoas. Se
recuarmos no tempo, as formas de comunicação entre pessoas em
diferentes países eram as cartas (demasiado tempo) e as chamadas
(demasiado dispendiosas). Esta escassez de recursos originava grandes
fossos de ligação interpessoal e um afastamento massivo.
Atualmente, uma sms é recebida de imediato e tem um custo
muito baixo, além de outros recursos totalmente gratuitos como o
Skype e as redes sociais como o Facebook, o twitter.
O meio social sofreu uma tal alteração que os indivíduos
possivelmente não conseguiriam viver como viveram há uns anos
atrás. Aqueles então que já nasceram nesta era provavelmente
entrariam em depressão ou enlouqueceriam, tal não é a dependência
das TIC. A grande problemática é a exposição aos riscos da
utilização deste “mundo” que é tão grande e tão acessível.
A maioria dos utilizadores sabe navegar nas redes sociais, jogar e
pouco mais. Aspetos essenciais como a instalação de um anti-vírus,
o manuseamento do controlo parental, a limpeza sistemática de dados
privados em histórico, o término de sessões de emails ou outras
contas quando o acesso é feito num ponto público são ainda “tabu”
ou simplesmente desconhecidos ou desvalorizados.
As crianças devido à sua imaturidade são as mais expostas.
Partilham fotos e rotinas que sem saberem colocam em causa a sua
segurança e a dos demais à sua volta. Os pais, muitos deles
inexperientes neste novo ambiente, não sabem controlar os atos dos
menores e às vezes nem os seus. Contudo, há quem se aproveite deste
desconhecimento, ingenuidade ou até desleixo para se beneficiar.
Seja através de burlas, fraudes, negócios fictícios, pedofilia...
Tudo vale! Tal ocorre porque se verificou uma crescente necessidade
em utilizar este mundo cibernaútico, mas preteriu-se a aprendizagem
da sua utilização segura.
Sejam crianças, adultos ou idosos todos usam e querem mostrar que
sabem usar mas poucos sabem realmente o que está atrás desta
colossal máquina. Cada vez mais se ouvem relatos de ataques
cibernaúticos a altas instituições; clonagens e usurpação de
identidades; raptos e desaparecimento de crianças, etc. O Homem
mudou, trocou amigos de carne e osso por amigos que podem até não
existir na realidade. O importante é ter o maior número de likes
nos posts e de amigos, mesmo que não conheça nem metade ou que os
ignore na rua. Quem não tem conta numa rede social, é quase um
extraterreste, um eremita.
Não estão em causa os benefícios que todo este mundo criou, mas os
seus perigos são imensos e incalculáveis devido à sua escala
mundial. O mais grave é a sua camuflagem, o passarem despercebidos.
Há que educar os utilizadores, tal como foram educados a trancar as
portas, a desconfiar de desconhecidos, a proteger os seus bens. Mesmo
quem tem conhecimentos e sabe utilizar a Internet de forma segura
está exposto quanto mais... Estamos numa era de facilitismo, de
ganho imediato, de proliferação de dados em questão de segundos. O
desaire é quando a nossa segurança é violada e a partir daí de
nada serve mudar pois como o ditado diz “Casa roubada, Trancas à
porta!” e aí já é tarde...
REFERÊNCIAS
Belanciano, V. (2014). Não são apenas as celebridades que estão a nu na Internet. Público, 25.
Belanciano, V. (2014). Não são apenas as celebridades que estão a nu na Internet. Público, 25.
Cardoso,
R. (2014). Se o Google diz é porque é verdade. Mas será
mesmo? Courrier, 3.
Guerreiro,
A. (2014). A máquina Google. Ipsilon, 25.
Sem comentários:
Enviar um comentário